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Capcom confirma plano de mais remakes de Resident Evil e prepara ‘crossover’ entre títulos

Publicado em 01/10/2026 · 5 min de leitura

Capcom deixou claro que não vai parar com os remakes de Resident Evil: em entrevista publicada na revista especial do 30º aniversário da franquia, o produtor executivo Jun Takeuchi explicou que o desenvolvimento hoje segue por duas frentes — títulos novos e remakes dos jogos antigos — e que há planos para que esses remakes eventualmente “alcancem” a era dos jogos numerados mais recentes. Essa aproximação, segundo Takeuchi, também está sendo pensada de modo a permitir um tipo de “crossover” entre as linhas de produção e narrativa.

O que foi confirmado

As informações vêm do comentário de Jun Takeuchi ao material comemorativo da série. Ele descreveu a estratégia atual da franquia como bifurcada: por um lado, jogos novos, como o recente Resident Evil Requiem; por outro, a série de remakes que reimagina títulos mais antigos. Takeuchi afirmou que a equipe já planeja os próximos passos para quando a sequência de remakes alcançar a cronologia dos jogos numerados mais modernos.

Além disso, ele destacou que sinais colocados em lançamentos mais recentes — como a reaparição de nomes e locais clássicos (Umbrella, Spencer, o retorno de Raccoon City em Requiem) — não são acidentais, mas parte de um trabalho preparatório para essa integração entre remakes e os títulos novos.

O produtor também apontou Resident Evil 7 como um ponto de virada para a série: foi a partir daquele projeto que a equipe passou a revisitar os jogos anteriores com intenção de refazê‑los em formatos modernos.

Contexto e cronograma conhecido

Do que já se sabe publicamente: a Capcom tem mantido um plano de remakes sucessivos dentro da franquia. O texto que motivou a entrevista cita Resident Evil Veronica como próximo remake esperado para o ano seguinte à publicação, e reportagens anteriores indicaram que Resident Evil Zero estaria programado para 2028, após Veronica. Também há menções internas de que uma nova versão do primeiro Resident Evil está sendo considerada.

Importante frisar: Takeuchi não detalhou quais títulos receberão remakes depois desses nem deu prazos concretos além das indicações já reportadas. Ele também evitou explicar precisamente o que significará esse tal “crossover”, deixando espaço para especulação.

Quais jogos estariam na mira

Quando se fala em “alcançar a era dos jogos numerados”, a interpretação mais direta é que os remakes devem chegar, em algum ponto, aos jogos numerados lançados antes do ponto de virada identificado por Takeuchi. Entre esses, Resident Evil 5 (2009) e Resident Evil 6 (2012) são os mais citados pela comunidade como candidatos naturais: ambos foram lançados antes de RE7 e, por razões distintas, carregam problemas de concepção que um remake moderno poderia corrigir.

RE5 foi bem recebido por parte da crítica na época, mas sua execução sofreu com problemas de design, notadamente a implementação da IA parceira Sheva. Já RE6 marcou uma guinada mais cinematográfica e orientada à ação, que alienou muitos fãs do horror de sobrevivência clássico. Remakes desses títulos dariam à Capcom a chance de ajustar tom, ritmo e mecânica para os padrões atuais.

Por que isso importa

Do ponto de vista de mercado e de fãs, a estratégia tem duas implicações principais. Primeiro, manter duas frentes garante conteúdo constante: novas experiências para atrair público e remakes para capitalizar nostalgia, oferecendo material familiar com tecnologia e design atuais. Segundo, preparar elementos narrativos — nomes, locais e referências — para um eventual cruzamento sugere que a Capcom busca uma coesão maior entre suas linhas temporais e produtos, o que pode enriquecer a mitologia da franquia e abrir oportunidades para projetos transversais, seja em jogos, seja em mídias auxiliares.

No entanto, há riscos. Fazer remakes de títulos impopulares sem uma visão clara pode reforçar críticas sobre revisitar material que, por vezes, foi rejeitado por boas razões. E a promessa de um “crossover” narrativa precisa ser entregue com cuidado: integrar universos distintos sem fragilizar as identidades dos jogos exige planejamento narrativo e de design.

Análise rápida do VOID NERD

O posicionamento estratégico da Capcom faz sentido: a franquia Resident Evil vive hoje de um equilíbrio entre inovação (novos títulos que experimentam com escala e tipo de terror) e preservação (remakes que modernizam clássicos). Reconectar elementos como Umbrella, Spencer e Raccoon City serve tanto à mitologia quanto ao marketing — é um jeito eficaz de unir jogadores antigos e novos em torno de temas e locais reconhecíveis.

No entanto, a expressão “crossover” carece de precisão. Pode significar desde pequenas referências que amarram pontos narrativos até um evento narrativo ambicioso que junte personagens e linhas de tempo. Até que a Capcom seja mais específica, o melhor é interpretar o comentário como intenção de alinhamento e preparação, não como promessa de um grande evento integrado.

VEREDITO VOID NERD

Capcom está jogando com inteligência: manter remakes e novos lançamentos simultaneamente protege a franquia comercialmente e narrativamente. Mas expectativas devem ser medidas. A menção ao “crossover” é um convite à curiosidade, não um roteiro fechado. Se a Capcom realmente transformar remakes problemáticos — como RE5 e RE6 — em experiências modernas e coesas, será um ganho real. Agora, se o plano se limitar a reciclar nomes e cenários sem espírito crítico sobre o material original, fãs poderão ficar no mesmo lugar — só com gráficos melhores.

Em resumo: há motivo para empolgação, mas a confiança só virá quando a Capcom mostrar o como, não apenas o porquê.

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