ONDE ESTÃO OS JOGOS COMO PS2? LICENCIADOS E OS CLÁSSICOS!?

Os consoles mais vendidos da história

Quem viveu a geração do PlayStation 2 provavelmente sente que os jogos daquela época eram diferentes. Eles pareciam mais variados, completos e, muitas vezes, simplesmente mais divertidos.

Era possível entrar em uma loja e encontrar jogos de corrida, luta, plataforma, terror, ação, esportes, RPG, aventura e até adaptações de desenhos animados ocupando o mesmo espaço.

Hoje, apesar dos gráficos impressionantes e dos mundos cada vez maiores, muitos jogadores sentem que algo foi perdido. Mas será que os jogos realmente pioraram ou a indústria apenas mudou?

Por que jogos como os de PlayStation 2 não existem mais?

A geração do PlayStation 2 era mais experimental

Durante a sexta geração de consoles, as produtoras ainda estavam descobrindo tudo o que poderia ser feito em ambientes tridimensionais.

Isso criou um mercado no qual ideias estranhas, diferentes e até arriscadas conseguiam chegar às lojas. Jogos não precisavam obrigatoriamente se transformar em franquias gigantes ou vender dezenas de milhões de cópias para justificar sua existência.

Foi nessa época que surgiram ou ganharam força experiências como Shadow of the Colossus, Katamari Damacy, Okami, Bully, Guitar Hero, God Hand e Black.

Alguns desses jogos venderam muito. Outros se tornaram cultuados apenas anos depois. O importante é que havia espaço para projetos diferentes.

Na geração do PS2, muitas produtoras podiam criar jogos médios: projetos maiores que um título independente, mas menores e menos caros que os grandes lançamentos atuais.

Produzir um jogo moderno custa muito mais

Os jogos atuais apresentam gráficos detalhados, animações realistas, dublagem, captura de movimentos, mapas gigantescos e centenas de profissionais envolvidos na produção.

Todo esse avanço aumentou consideravelmente o custo e o tempo necessários para desenvolver um grande lançamento.

Quando uma empresa investe muito dinheiro em um único projeto, ela tende a evitar riscos. Em vez de criar algo completamente novo, torna-se mais seguro investir em uma franquia conhecida, seguir tendências populares ou repetir uma fórmula que já demonstrou capacidade de gerar lucro.

Isso não significa que os desenvolvedores perderam a criatividade. O problema é que um grande fracasso comercial pode causar demissões, fechamento de estúdios e cancelamento de outros projetos.

Produção de jogos modernos

Os jogos deixaram de ser apenas produtos

Na época do PlayStation 2, o modelo mais comum era simples: o jogador comprava o disco e recebia o jogo completo.

Poderiam existir versões especiais ou expansões, mas o objetivo principal era vender uma experiência pronta.

Atualmente, muitos jogos são desenvolvidos para permanecer ativos durante vários anos. Passes de batalha, moedas virtuais, temporadas, eventos, atualizações e itens cosméticos passaram a fazer parte do planejamento desde o início.

Esse modelo pode manter comunidades ativas e permitir que um jogo receba novos conteúdos. Porém, também faz com que algumas empresas priorizem o tempo de permanência do jogador e as compras internas em vez de experiências menores e fechadas.

Jogos na era do PS2

  • Compra única;
  • Experiência completa no disco;
  • Campanhas mais diretas;
  • Grande variedade de gêneros;
  • Sequências lançadas com mais frequência.

Grandes jogos atuais

  • Produções mais caras;
  • Ciclos de desenvolvimento maiores;
  • Atualizações constantes;
  • Conteúdos por temporadas;
  • Maior pressão por resultados financeiros.

As produtoras lançavam jogos com mais frequência

Durante a geração do PlayStation 2, muitas franquias recebiam novos títulos em intervalos muito menores.

Em poucos anos, jogadores acompanharam várias versões de séries como Grand Theft Auto, Need for Speed, Tony Hawk’s Pro Skater, Ratchet & Clank, Jak and Daxter, Prince of Persia e Dragon Ball Z: Budokai.

Os jogos aproveitavam tecnologias, motores gráficos e recursos já desenvolvidos anteriormente. Isso permitia que as produtoras criassem sequências mais rapidamente.

Hoje, uma grande franquia pode passar cinco, seis ou mais anos sem receber um novo capítulo. Quando o jogo finalmente chega, precisa justificar anos de produção e expectativas enormes.

Antigamente, uma sequência precisava ser divertida e melhor que a anterior. Hoje, ela também precisa sustentar uma empresa durante vários anos.

O mercado dos jogos de orçamento médio diminuiu

Uma das maiores diferenças entre aquela geração e o mercado atual está no desaparecimento de muitos jogos de orçamento intermediário.

Esses títulos não possuíam o investimento dos maiores lançamentos, mas também não eram pequenos projetos independentes. Era justamente nessa categoria que muitas ideias diferentes encontravam espaço.

Jogos baseados em filmes, desenhos e séries também eram muito mais comuns. Quase toda grande produção parecia receber uma adaptação para videogame, mesmo que a qualidade variasse bastante.

Com o aumento dos custos, esse tipo de projeto tornou-se menos atraente para grandes empresas. Atualmente, muitas preferem investir em poucos jogos de grande porte ou em projetos menores e digitais.

A indústria passou a seguir tendências

Quando um jogo alcança enorme sucesso, outras empresas tentam repetir parte da fórmula.

Ao longo dos anos, a indústria acompanhou ondas de jogos de mundo aberto, battle royale, sobrevivência, jogos como serviço e experiências com elementos de RPG.

Seguir tendências não é necessariamente algo negativo. Muitos grandes jogos nasceram da evolução de ideias anteriores. O problema aparece quando diferentes franquias começam a adotar estruturas parecidas, mesmo que elas não combinem com suas identidades.

Isso ajuda a explicar por que alguns jogadores sentem que os títulos atuais parecem menos variados, mesmo quando apresentam mundos maiores e mais conteúdo.

Jogos clássicos do PlayStation 2

A nostalgia também influencia essa sensação

É impossível ignorar o papel da nostalgia. Para muitas pessoas, o PlayStation 2 fez parte da infância ou adolescência.

Naquela época, um único jogo poderia durar meses. O jogador repetia fases, descobria segredos, jogava com amigos e aproveitava cada parte da experiência porque talvez não recebesse outro título tão cedo.

Hoje, serviços por assinatura, promoções e lojas digitais oferecem acesso a uma quantidade gigantesca de jogos. Ter mais opções é positivo, mas também pode fazer com que cada experiência pareça menos especial.

Além disso, costumamos lembrar dos melhores jogos do passado e esquecer os títulos repetitivos, mal produzidos ou praticamente injogáveis que também existiam.

Não eram todos os jogos de PlayStation 2 que eram incríveis. A diferença é que os melhores sobreviveram na memória, enquanto grande parte dos lançamentos ruins foi esquecida.

Ainda existem jogos com o espírito do PlayStation 2?

Sim. Eles apenas não estão necessariamente entre os maiores lançamentos do mercado.

Muitos jogos independentes e produções de médio orçamento mantêm a criatividade, a objetividade e o estilo experimental daquela geração.

Títulos modernos continuam oferecendo campanhas completas, ideias diferentes e experiências sem a necessidade de prender o jogador durante centenas de horas.

Para encontrá-los, porém, é necessário olhar além dos jogos que recebem as maiores campanhas publicitárias.

O que procurar nos jogos atuais?

  • Produções independentes;
  • Jogos de orçamento intermediário;
  • Campanhas lineares e fechadas;
  • Projetos japoneses experimentais;
  • Remakes e remasterizações de clássicos;
  • Jogos focados em uma única mecânica bem executada.

Os jogos antigos eram realmente melhores?

Não necessariamente. Os jogos atuais oferecem recursos que seriam inimagináveis na época do PlayStation 2.

Hoje temos mundos extremamente detalhados, sistemas de acessibilidade, atuações impressionantes, multiplayer global e experiências independentes produzidas por equipes pequenas.

O que mudou foi a estrutura da indústria. Os grandes jogos ficaram maiores, mais caros e mais demorados. Como consequência, empresas passaram a assumir menos riscos.

A geração do PS2 não era perfeita, mas existia um equilíbrio especial entre limitações técnicas, custos menores e liberdade criativa. As produtoras precisavam encontrar maneiras inteligentes de criar experiências marcantes com os recursos disponíveis.

Por que sentimos tanta falta daquela época?

Sentimos falta de ligar o videogame e começar a jogar sem atualizações enormes, contas obrigatórias ou menus cheios de ofertas.

Sentimos falta dos jogos de tela dividida, das adaptações inesperadas, das sequências lançadas rapidamente e das experiências que não precisavam ocupar todos os nossos dias.

Mas, principalmente, sentimos falta da maneira como vivíamos os videogames naquele período.

O PlayStation 2 chegou durante uma época em que cada descoberta parecia nova. Os gráficos tridimensionais evoluíam rapidamente, as franquias experimentavam ideias diferentes e os jogos ainda carregavam uma sensação constante de surpresa.

Os jogos como os de PlayStation 2 não desapareceram completamente. Eles apenas deixaram de ocupar o centro da indústria. A criatividade daquela geração ainda existe, mas agora precisa ser procurada entre projetos independentes, produções menores e experiências que escolhem diversão em vez de tamanho.

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