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Por que Castlevania: Belmont’s Curse é o Metroidvania que precisava do castelo (e onde tropeça)

Publicado em 18/10/2026 · 6 min de leitura

Quando uma franquia possui tanto peso na história dos videogames como Castlevania, qualquer novo capítulo carrega expectativas. Castlevania: Belmont’s Curse chega oferecendo aquilo que muitos fãs pediam: exploração lateral clássica, sensação de progressão por habilidades e um protagonista conectado à linhagem Belmont. Mas mais do que nostalgia, o jogo aposta em mecânicas que dialogam com o passado enquanto tentam adicionar personalidade — nem sempre com a mesma eficácia. Neste texto, eu explico o que faz Belmont’s Curse funcionar, o que o segura e por que, apesar de defeitos, ele merece um lugar de destaque na prateleira de quem ama Metroidvanias.

O que o jogo é — e o que ele não tenta ser

Castlevania: Belmont’s Curse é uma aventura lateral no espírito dos clássicos da série. A história se passa em 1499, em uma Paris tomada por horrores medievais; Rose Belmont é a protagonista controlável, com Trevor presente como figura de apoio na trama. A narrativa mistura mistério e elementos sobrenaturais, apoiada num recurso central: um baralho de cartas de tarô que funciona como repositório de memórias, inimigos e, mais importante, habilidades — as chamadas Arcanas.

Não espere um roteiro que subverta o cânone. A premissa bebe na fonte do herói contra o mal e recorre a arquétipos clássicos; isso não é um defeito em si, desde que o jogo ofereça maneiras interessantes de apresentar esses elementos. Belmont’s Curse faz isso com leveza: os encontros com figuras históricas e mitológicas reinterpretadas como Arcanas dão textura à progressão e oferecem poderes variados conforme você captura essas essências.

Exploração e design de mundo: quando o mapa recompensa a curiosidade

A alma do jogo é a exploração 2D. O mapa compõe áreas que se conectam de modo inteligente, e o fluxo de jogo segue o velho bom ciclo do Metroidvania — abrir caminhos com novas habilidades, revisitar zonas antes inatingíveis e descobrir segredos que dão vantagem. Aqui, os desenvolvedores mostram confiança no jogador: não há setas gigantes nem indicação óbvia de onde procurar. Se algo parece suspeito, muito provavelmente há um segredo por trás daquela parede.

O design favorece experimentação de estilos. Você tem sete tipos de armas à disposição, cada uma com personalidade e utilidades específicas para combate e movimentação. Uma ferramenta de destaque é o uso combinado do chicote e do cestus (luvas de combate): em situações bem cronometradas, o jogo recompensa movimentos de acrobacia e engenhosidade, por exemplo usando um uppercut para alcançar plataformas altas. Esse tipo de interação entre armas e cenário dá sabor ao metroidvania sem transformar tudo em meras sequências de salto.

Puzzles que pedem atenção

As charadas do jogo são do tipo que valorizam observação: anotações, fragmentos de lore e pistas visuais espalhados pelos cenários precisam ser correlacionados para desbloquear relíquias ou rotas secretas. Se você for do tipo que atira para tudo e não toma notas, vai perder parte do prazer. O jogo até incentiva capturar screenshots para organizar informações — um detalhe simpático que reforça o tom investigativo.

Combate e Arcanas: diversidade que importa

Além das armas, as Arcanas funcionam como poderes adquiridos ao aprisionar a essência dos inimigos no tarô. Elas variam bastante: algumas invocam aliados temporários, outras alteram o terreno de batalha ou oferecem ataques pesados. Essa camada torna cada encontro mais dinâmico e permite builds diferentes, reforçando a rejogabilidade e a experimentação. Usar um Arcana certo no momento adequado transforma batalhas que seriam monótonas em desafios interessantes.

O sistema de progressão valoriza escolhas do jogador: melhorar armas, ajustar Arcanas e decidir por quais caminhos revisitar o mapa. Isso cria um ritmo excelente para quem gosta de destrinchar tudo que um metroidvania tem a oferecer.

O problema mais notável: chefes que desapontam

É aqui que o jogo perde pontos. As batalhas contra chefes, embora vistosas, tendem a se reduzir a memorização de padrões e a paciência. Depois de entender as janelas de ataque e defesa, a maioria dos confrontos cai na previsibilidade. Há também momentos onde puzzles e mecânicas trabalhadas anteriormente são ignorados no ápice, como quando sequências de combinação que você passou horas resolvendo têm pouca ou nenhuma influência na luta final — uma desconexão de design que frustra.

Não é que os chefes sejam fáceis por acaso; muitos exigem precisão e tempo. O problema é a falta de evolução — faltam golpes ou fases que reajam às soluções que o jogador elaborou ao longo da jornada. Em termos de momento épico, dá a impressão de que o confronto poderia ter sido melhor escrito para aproveitar os recursos únicos do jogo.

Apresentação e som: a trilha que te persegue (no bom sentido)

A direção sonora merece aplausos. A trilha mistura elementos orquestrais e eletrônicos, coro e órgão, criando faixas que grudam na cabeça. O impacto estético é consistente: armas soam contundentes, os efeitos de Arcana têm presença e cada área possui identidade própria. A atenção ao detalhe no áudio eleva seções simples a momentos memoráveis.

Para quem vale a pena e duração

Se você é fã de Metroidvanias, gosta de exploração metódica e aprecia um combate que premia escolha de equipamento e uso criativo de habilidades, Belmont’s Curse é um prato cheio. Para completar 100% e fuçar todos os cantos com calma, espere dedicar dezenas de horas — uma experiência substancial, que recompensa paciência e curiosidade.

VEREDITO VOID NERD

Castlevania: Belmont’s Curse é, no geral, uma celebração competente do que torna os Metroidvanias cativantes: exploração que respeita o jogador, um arsenal que convida à experimentação e um sistema de Arcanas que dá personalidade. Falta ambição em batalhas de chefe e, ocasionalmente, uma integração maior entre puzzles e confrontos finais. Ainda assim, as qualidades superam as falhas. É um retorno que honra a linhagem Belmont e merece ser jogado por quem curte descobertas graduais e replay com builds diferentes.

VEREDITO VOID NERD: Recomenda-se — um Metroidvania sólido com momentos brilhantes; poderia ser épico se os chefes fossem tão inventivos quanto o resto do jogo.

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